
Mas isso não é Pró-Labore! Como registrar corretamente na sua empresa
Entenda como registrar o pró-labore, separar despesas pessoais das empresariais e evitar distorções nos resultados financeiros da sua empresa.

Sua empresa está usando Inteligência Artificial ou apenas brincando com ela?
A Inteligência Artificial entrou definitivamente na rotina das empresas.
Hoje, gestores usam ferramentas de IA para escrever e-mails, criar apresentações, resumir documentos, analisar planilhas, produzir conteúdos, pesquisar informações e automatizar algumas atividades.
Tudo isso pode gerar ganhos importantes.
Mas existe uma pergunta mais relevante que poucas empresas estão fazendo:
onde a Inteligência Artificial está efetivamente melhorando o resultado do negócio?
Essa diferença parece pequena, mas muda completamente a discussão.
Usar Inteligência Artificial não significa necessariamente melhorar a gestão. Da mesma forma, automatizar uma atividade não significa que aquela atividade deveria continuar existindo exatamente daquela maneira.
Uma empresa pode adotar diversas ferramentas modernas e continuar enfrentando os mesmos problemas de sempre: falta de informação confiável, processos mal definidos, baixa produtividade, margens desconhecidas, decisões baseadas em percepção e excesso de dependência dos sócios.
Nesse cenário, a tecnologia muda. A gestão permanece igual.
E esse talvez seja um dos maiores riscos da atual corrida pela Inteligência Artificial.
Imagine uma empresa que realiza seu controle financeiro por meio de várias planilhas.
As informações estão espalhadas. Existem versões diferentes dos mesmos números. Algumas atualizações dependem de uma pessoa específica. Os gestores recebem relatórios com atraso e frequentemente precisam conferir se os dados estão corretos antes de tomar qualquer decisão.
Adicionar Inteligência Artificial a esse ambiente pode até acelerar algumas tarefas.
Mas não resolve o problema estrutural.
É como colocar um motor mais potente em um veículo com a direção desalinhada: ele pode andar mais rápido, mas isso não significa que irá na direção certa.
Antes de perguntar qual ferramenta de IA utilizar, uma empresa deveria responder perguntas muito mais básicas:
Quais processos realmente importam?
Quais informações são necessárias para administrar o negócio?
Onde existe retrabalho?
Quais atividades consomem tempo excessivo?
Quais decisões são tomadas com pouca informação?
Quais indicadores deveriam ser acompanhados?
Onde existem gargalos?
Somente depois dessas respostas a tecnologia começa a cumprir seu verdadeiro papel.
Para a maioria das empresas, o ganho inicial da Inteligência Artificial está na produtividade.
Diversas atividades administrativas podem ser executadas com muito mais velocidade.
Relatórios podem ser resumidos.
Documentos podem ser analisados.
Reuniões podem ser transcritas e organizadas.
Propostas comerciais podem ser estruturadas.
Informações podem ser consolidadas.
Textos podem ser revisados.
Pesquisas podem ser realizadas com maior rapidez.
Procedimentos internos podem ser documentados.
Esses ganhos são relevantes porque reduzem o tempo dedicado a atividades operacionais.
Mas existe uma diferença importante entre economizar tempo e gerar resultado.
Se uma atividade que consumia quatro horas passa a consumir uma hora, três horas foram liberadas.
A pergunta seguinte deveria ser:
o que a empresa fará com essas três horas?
Se esse tempo for utilizado para melhorar o atendimento, analisar clientes, buscar oportunidades, acompanhar indicadores ou desenvolver novos negócios, existe geração potencial de valor.
Se apenas aumentar a quantidade de tarefas executadas sem melhorar nenhum resultado, existe produtividade operacional, mas não necessariamente melhoria empresarial.
Depois da produtividade individual vem uma oportunidade ainda maior: melhorar processos inteiros.
Considere um processo comercial.
Um cliente entra em contato.
A equipe registra o lead.
É feita uma proposta.
O vendedor realiza acompanhamento.
O cliente aceita ou recusa.
O contrato é formalizado.
Na maioria das empresas, existem diversos pequenos pontos de perda durante esse fluxo.
Um contato pode ficar sem resposta.
Uma proposta pode permanecer vários dias sem acompanhamento.
Uma informação pode não ser registrada.
Um vendedor pode esquecer uma ação combinada com o cliente.
Uma oportunidade pode ser perdida simplesmente porque ninguém percebeu que ela estava parada.
Nesse contexto, Inteligência Artificial, automação e sistemas de gestão podem trabalhar juntos.
O sistema pode identificar propostas sem movimentação.
Pode destacar oportunidades que precisam de acompanhamento.
Pode resumir o histórico de relacionamento com um cliente.
Pode sugerir prioridades comerciais.
Pode identificar padrões de perda.
Pode preparar informações antes que o vendedor entre em contato.
Aqui a tecnologia começa a sair da esfera individual e entrar na estrutura da empresa.
O ganho deixa de ser apenas “fazer algo mais rápido”.
Passa a ser operar melhor.
Esse é provavelmente o ponto no qual a Inteligência Artificial começa a se tornar realmente estratégica.
Empresas acumulam uma enorme quantidade de informações.
Vendas.
Clientes.
Produtos.
Custos.
Propostas.
Contratos.
Pagamentos.
Orçamentos.
Estoque.
Atendimentos.
Despesas.
Margens.
O problema é que possuir dados não significa necessariamente utilizá-los.
Muitas empresas ainda administram olhando principalmente para o saldo bancário, para o faturamento mensal ou para relatórios contábeis recebidos posteriormente.
Mas a gestão exige perguntas diferentes.
Quais clientes aumentaram suas compras?
Quais reduziram?
Quais produtos possuem maior margem?
Quais contratos estão abaixo da rentabilidade esperada?
Quais despesas estão crescendo acima do planejado?
Quais vendedores possuem maior conversão?
Quanto tempo uma proposta leva para se transformar em venda?
Qual percentual das oportunidades comerciais está parado?
Quanto da receita está concentrado nos maiores clientes?
Qual será a necessidade de caixa nos próximos meses?
Quando sistemas, dados e Inteligência Artificial são organizados corretamente, essas perguntas deixam de depender de horas de manipulação de planilhas.
A informação começa a ficar disponível para a decisão.
E isso muda a qualidade da gestão.
Existe ainda um estágio mais avançado.
Nele, o gestor deixa de procurar constantemente as informações.
O sistema passa a chamar sua atenção para aquilo que realmente precisa ser observado.
Imagine abrir o sistema da empresa pela manhã e encontrar informações como:
“Cinco propostas comerciais estão sem acompanhamento há mais de sete dias.”
“O faturamento projetado para o próximo mês está 12% abaixo da meta.”
“As despesas administrativas aumentaram pelo terceiro mês consecutivo.”
“Três clientes que compravam regularmente não realizam pedidos há mais de 90 dias.”
“A margem de determinado produto caiu significativamente neste trimestre.”
“Existe concentração elevada de recebimentos em poucos clientes.”
Isso não significa transferir a decisão para uma máquina.
A decisão continua sendo humana.
A tecnologia funciona como um radar.
Ela identifica sinais que poderiam passar despercebidos e direciona a atenção do gestor.
Esse talvez seja um dos maiores potenciais da Inteligência Artificial aplicada à gestão empresarial.
Não substituir quem decide.
Melhorar a capacidade de decidir.
Existe, porém, um erro recorrente.
Empresas frequentemente tentam utilizar tecnologia antes de revisar seus processos.
Um processo confuso é digitalizado.
Uma planilha mal estruturada recebe automações.
Uma sequência desnecessária de aprovações vira um fluxo eletrônico.
Um indicador sem utilidade ganha um dashboard sofisticado.
O resultado é uma empresa tecnologicamente mais moderna, mas não necessariamente mais eficiente.
Por isso, projetos de transformação deveriam começar com três perguntas:
O que fazemos hoje?
Por que fazemos dessa forma?
Como deveríamos fazer?
Somente depois deveria surgir a quarta:
qual tecnologia pode ajudar?
Essa ordem evita um erro comum: adaptar a empresa às ferramentas quando o correto deveria ser adaptar as ferramentas às necessidades da empresa.
Outro fenômeno que cresceu junto com a digitalização das empresas é a quantidade de indicadores.
Hoje é relativamente fácil construir dashboards visualmente sofisticados.
O problema é que gráficos não tomam decisões.
Uma empresa pode possuir dezenas de indicadores e continuar sem uma verdadeira rotina de gestão.
Um indicador só produz valor quando existe uma sequência clara:
informação → análise → decisão → ação → acompanhamento.
Se o faturamento caiu, alguém precisa entender por quê.
Se a margem caiu, alguém precisa investigar.
Se uma proposta comercial está parada, alguém precisa agir.
Se uma despesa ultrapassou o orçamento, alguém precisa decidir o que fazer.
Sem essa rotina, o dashboard se transforma apenas em decoração gerencial.
A Inteligência Artificial pode ajudar novamente nesse ponto.
Em vez de simplesmente apresentar números, sistemas podem começar a destacar variações relevantes, exceções e situações que merecem atenção.
A melhor forma de avaliar qualquer projeto de Inteligência Artificial é relativamente simples.
Não pergunte quantas ferramentas estão sendo utilizadas.
Pergunte o que melhorou.
O tempo necessário para executar determinadas atividades diminuiu?
O retrabalho foi reduzido?
A velocidade de atendimento aumentou?
O ciclo comercial ficou menor?
A taxa de conversão melhorou?
As informações ficaram mais confiáveis?
As decisões passaram a ser tomadas com maior rapidez?
As margens melhoraram?
Custos foram reduzidos?
A capacidade da equipe aumentou sem necessidade de crescimento proporcional da estrutura?
Esses são indicadores empresariais.
E é neles que qualquer investimento em tecnologia deveria, direta ou indiretamente, produzir efeito.
Nos próximos anos, novas soluções de Inteligência Artificial continuarão aparecendo em velocidade muito alta.
Será impossível acompanhar todas.
E provavelmente será desnecessário.
Empresas que tentarem utilizar cada nova ferramenta poderão gastar enorme quantidade de energia testando tecnologias sem construir nenhuma vantagem real.
O caminho mais consistente é outro.
Primeiro, entender o negócio.
Depois, organizar processos.
Em seguida, estruturar dados e indicadores.
Somente então utilizar tecnologia para aumentar produtividade, reduzir falhas e melhorar decisões.
A Inteligência Artificial é extremamente poderosa.
Mas ela continua sendo uma ferramenta.
Empresas bem administradas poderão utilizá-la para operar com mais velocidade, informação e capacidade de análise.
Empresas desorganizadas também poderão utilizá-la.
A diferença é que, nesse segundo caso, existe o risco de apenas fazer a desorganização acontecer mais rápido.
Talvez a principal pergunta sobre Inteligência Artificial dentro de uma empresa não seja:
“Como podemos usar IA?”
Uma pergunta melhor seria:
“Qual problema relevante do nosso negócio podemos resolver melhor utilizando IA?”
Essa pequena mudança de perspectiva tira a tecnologia do centro da discussão.
E coloca aquilo que realmente importa no lugar certo:
a gestão e o resultado da empresa.
Na Inovare, acreditamos que tecnologia deve estar a serviço da estratégia, dos processos e das decisões empresariais.
Antes de digitalizar, automatizar ou aplicar Inteligência Artificial, é necessário compreender como a empresa funciona, onde estão seus gargalos e quais informações realmente ajudam seus gestores a decidir.
Porque transformação empresarial não começa com uma ferramenta.
Começa com gestão.
Sócio e CFO
Formado em Processos Gerenciais, começou na gestão dos negócios da própria família e passou por um programa de trainee nos Estados Unidos antes de voltar ao Brasil. Trabalhou como parceiro da INOVARE antes de se associar à empresa. Fora do escritório, é técnico da equipe de karatê de Florianópolis e conduz um projeto social que usa o esporte para formar cidadania.
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